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Turismo Literário, uma forma de peregrinação moderna

O que é Turismo Literário ?

O  viajante procura visitar lugares e eventos descritos nos livros, bem como visitar museus sobre a vida dos autores, os lugares onde nasceram, viveram e escreveram as suas obras. O turismo literário é uma forma de “peregrinação” moderna em que os turistas procuram perceber como os lugares influenciaram os autores a escreverem as suas obras. 

Os roteiros literários podem contribuir para um incremento da criatividade, da atitude crítica e da valorização intelectual do turista cultural, pois as novas abordagens a determinada paisagem, a determinada imagem, e a sua articulação com a criação literária farão com que o turista tenha uma outra perceção, que não apenas a sua, de determinada realidade.

São distintos de região para região e, portanto, não podem ser adaptados por outros destinos, pois estão intimamente ligados à região a que se reportam.

 

Roteiros literários de Portugal

Um viagem por Portugal sem pontos, nem parágrafos, como a escrita de Saramago, passando pelas cidades e serras descritas por Eça de Queiroz, percebendo porque é que o cenário idílico do Vale do Douro inspirou tantos escritores portugueses.

Em Lisboa, siga os caminhos preferidos de Fernando Pessoa ou de José Saramago para conhecer a cidade.

Na Madeira e nos Açores, viaje pelas mãos dos seus poetas e romancistas.

 

Uma curiosidade

O início das celebrações do Centenário de José Saramago, autor português de mais de 40 obras e detentor do Prémio Nobel de Literatura e do Prémio Camões, assinala também o arranque de “Viagem a Portugal Revisited”, um projeto de turismo literário do Turismo de Portugal que consiste na reconstrução dos roteiros percorridos por Saramago, e descritos na obra homónima, por autores contemporâneos nacionais e internacionais.

Uma oportunidade para dar a conhecer o imenso território onde Saramago se inspirou, os locais, as paisagens, os sabores e as gentes, (como o Convento de Mafra, mencionado em “O Memorial do Convento”, por exemplo),  mas também promover Portugal como destino de turismo literário.

 

Dicas para praticar o turismo literário

1. Trazer a cena do livro para a vida real

2. Limitar a área onde pretende fazer a viagem literária

3. Pesquisar sobre a história do lugar escolhido

4. Conhecer de forma imersiva a comunidade local

 

Roteiros Literários na  Madeira 

Na Madeira, não existem, ainda, roteiros literários turísticos oficiais. 

Sugerimos que acompanhe o sentir e o olhar de alguns dos nossos poetas e romancistas pelas cidades, ruas e ruelas, pelas estações do ano, pelos elementos da natureza e pelas vivencias culturais.

 

Alguns poemas e romances de autores madeirenses que poderão inspirá-lo numa viagem literária pela ilha..

 

José Tolentino Mendonça

“Pico Ruivo”
“Vigiava nuvens e sombras pelas fajãs
a mesma solidão perigosamente
transcrita naquele cinzento avermelhado
sob as escamas do céu
túneis, atalhos, águas geladas
por aí nos conduz a travessia
a folha e a flor pertencem ao vento
um olhar (ainda o meu?) persegue-as entretido
na grande subida
mais abaixo, quando principiava a vereda
manchas de líquenes cobriam de igual modo
o nome dos lugares onde iremos
e dos lugares onde não chegaremos”

in A noite abre os meus olhos (2006)

 

João Miguel Fernandes Jorge
“Ribeiro Frio”
“Os patos de pescoço verde nadam
na transparência da água sacodem de
triunfo, nem uma pena nem uma penugem
extraviada que paire na encosta de
azáleas e rododendros em arco sobre o
ribeiro, sobre o ribeiro frio.
Do outro lado abriam-se as folhas dos fetos
e nos tanques vivem, em círculos, as trutas.
Parecem uma ameaça a todo o tempo,
ao nosso próprio destino.
Os cumes da ilha estão próximos.
De entre as trutas uma
quebra o cordão do círculo que,
invisível, as prende
e lateja por um instante até poisas
sem murmúrio
toda a terra da ilha.”
in Funchal em Fundo (2002)

 

José Agostinho Baptista
“Camacha”
“As maçãs ficam para sempre de cada lado do rosto.
Há, no semblante da raparigas, um fogo lento que
consome a tarde.
Quando se levanta
o sol bate impiedosamente nas suas fontes, mas na
penumbra elas fecham o desejo.
Elas não sabem que pelas serras se aproxima o
viajante.
Elas param imaginando os príncipes.
Sonâmbulas, em silêncio, em petrificada esfinge.
Elas amam o viajante com todas as cidades no sonho.
Os vimes entrelaçam-se nos dedos do irmão que as
viu perdidas entre as áleas verdes e
os sinos tocam de repente.
Estremeço.
Tenho frio porque há um mês que prepara o gosto da
sidra nas laboriosas nascentes.
Bebo os rios da terra num balcão de faia antiga.
Lá fora, a cal sucumbe à humidade.
São estas as casas de que falo,
é este o meu pão, a minha água, a hora em que me
despeço e elas pousam a rosa nos lábios,
entrando no sono.
Quem bordou as saias onde o sangue vive?
E elas dançam, voltadas para baixo, e todos os
astros pesam sobre os ombros.
O viajante quer os pátios da primavera onde elas se
sentavam ao lado dos limoeiros.
Há quem chame ao crepúsculo, temendo a exaltação
do peregrino, a sua febre, os jardins que incendeia.
Fico nos cestos que secam pelo dia, nos vimes, nas
maças, na cor de cada dia.
Saio do nevoeiro que desce sobre a aldeia e, sem
tréguas, recomeço.

Não deixarei que morra a canção da erva fria.”
de “Canções da Terra Distante”, in Biografia (2000)

 

Carlos Nogueira Fino
[rua de santa maria]
“na rua de santa maria de tão estreita
tocam-se as paredes numa nesga azul
e a primeira linha da sombra vem pelas empenas
sobre as pedras nuas
viraram-se há que tempos as janelas para dentro
que a roupa já está seca e em farrapos a deixaram
pendurada
caem primeiro os números das portas que a memória
mas mesmo essa
já não é o que era
e mesmo o que tu ouves não são passos
mas o sangue espasmódico
mesmo o último pássaro é de barro
e há muito que está morto no telhado”
in funchal (2004)

 

Carlos Nogueira Fino
[o olhar e o seu parapeito]
“o olhar e o seu parapeito
por trás da buganvília quem
sabe uma varanda
e reclinado sobre a primavera atarefada nos canteiros
um olhar
um olhar rasando o muro até cair no mar ou se perder
no voo de alguma ave esquiva

e um pouco atrás talvez
uma cortina ou a metáfora de gaze
da buganvília onde esse olhar se aninha
por baixo uma rua entre paredes barrigudas
pintadas de uma oca já antiga
um carro ocasional
portas altivas todas com batente e vidros coloridos
alisares de antracite
pedras genuínas
ervas
e por cima
um céu irrepreensível
por cima de um olhar e as suas asas e a sua buganvília”
in funchal (2004)

 

Ângela Varela
“Festa”
“Na pele do globo. Na curva do mar
Uma ilha bordada de flores
O navio branco crepita no foco da luz
Peixe maravilhoso que emerge do espelho do mar.
Asas pousadas nas águas. Cortejo de pétalas
dançantes.
Coroas de flores em festa.
Cantos e coros rodam com as nuvens que se
enrolam em volta da cratera acesa.
Uma ilha balão – voga por cima da crosta dos
mares, com uma orla de cores, de flores e de vento.
in Ilha 5 (2008)

 

Irene Lucília Andrade
“Uma Nesga de Mundo”
“Quem entre as urzes
pintou de roxo o jacarandá
a perfumada glicínia a flor-aranha
sabe porque se diz assi uma pena
desgostos de indescobertas e estaguadas marés
apesar da vocação ondulante das planícies
e se ressalva o clamar dos mares redondos
aconchegados ao confim dos taludes
nos lugares propensos à loucura febril
dos marinheiros à intensa vibração
das gemas mais profundas
à estreita orla onde um país se alonga sem se ver
tal como ilha
pingo de magma
refeito de um fogo velho

de uma forja marinha
esgalho de vertigem plantado numa onda
para que dele se fizesse
lídima e fértil
uma nesga de mundo”
in Ilha 5 (2008)

 

Saias de Balão

de Ricardo Nascimento Jardim

Clara é a filha mais nova de Luís da Cunha, proprietário da quinta do Bom Sucesso e que pertencia à alta sociedade do Funchal dos meados do séc. XIX.
Não podia ser mais diferente da sua irmã Matilde. Impetuosa e determinada é, contudo, a sua elegância e formosura que atrai a atenção de Aníbal, de Tony e de Gastão, um humilde empregado de escritório, um herdeiro rico e amigo de infância e um requintado boémio recém-chegado ao Funchal.
Mantendo-se fiel aos seus princípios, Clara muda de comportamento consoante as circunstâncias, quebrando regras sociais, chocando todos e irritando o pai. Enquanto isso, o tempo vai passando, trazendo ventos de mudança à Madeira.

 

Contos Populares e Lendas das Ilhas da Madeira e do Porto Santo reúne contos populares e lendas das ilhas da Madeira e do Porto Santo, cobrindo todos os concelhos, chegando mesmo às longínquas ilhas Selvagens. Se não é completo, para lá caminha. Este é um universo imprescindível à Cultura Madeirense para ser lido e contado nas noites mágicas destas ilhas!

 

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